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E o futuro do petróleo?

Segundo a revista Forbes, no primeiro semestre de 2015, 33,1% dos veículos automotores que circulavam na Noruega eram movidos a eletricidade, o que coloca os noruegueses na liderança disparada entre os países que detêm os maiores mercados de carros elétricos no mundo. Só para se ter uma ideia da dianteira em que eles estão, a Holanda, segunda colocada, tem 5,7% da frota movida por motores elétricos, enquanto a Inglaterra fica em terceiro lugar, com apenas 1,2%.

De forma realista, é preciso levar em conta que esse modal de transporte ainda é insignificante, se comparado ao dos veículos movidos a combustíveis. Contudo, uma intenção que surge na própria Noruega indica que essa situação pode começar a mudar em tempo mais breve do que muitos acreditam. Afinal, os noruegueses estão negociando uma proibição definitiva da venda de novos carros não elétricos, pretendendo que isso aconteça até 2025. Se a medida se concretizar, ela pode representar um exemplo claro de que as soluções são possíveis, desde que haja ousadia para adotá-las.

Mas, se essa atitude vier, o que ela pode representar para o futuro da indústria do petróleo?

Longo prazo

Com o pensamento limitado ao tempo atual ou até em médio prazo, certamente o impacto dos veículos elétricos sobre o valor do petróleo e, consequentemente, sobre os países produtores, será inexpressivo. É preciso ter em mente que, de acordo com a Associação Brasileira de Veículos Elétricos, em 2014, 7 milhões de veículos elétricos pesados e leves circulavam pelo planeta, ao passo que o número total de veículos automotores em todo o mundo já superou a casa de 1 bilhão de unidades.

Por outro lado, em uma perspectiva de longo prazo, a popularização dos veículos elétricos pode significar dificuldades consideráveis para quem produz petróleo, podendo mesmo inviabilizar a extração onde o custo da atividade é elevado.

Afinal, de acordo com levantamento da International Energy Agency (IEA), em 2013, 63,8% de todo o petróleo do mundo eram utilizados de várias formas no transporte e  não só como combustíveis. De modo específico, 23,5% eram consumidos na produção de gasolina e 12,3% na produção de óleo combustível.

Considerando uma progressão significativa na produção de veículos elétricos e daqueles que utilizam outros tipos de combustíveis, como os de origem vegetal e o gás natural, isso deve representar que quase 36 % do que é produzido de petróleo no mundo e que são destinados ao consumo veicular poderão se tornar gradativamente desnecessários.

Concorrência

É importante perceber também que não são apenas os automóveis elétricos que podem impactar negativamente a demanda por petróleo no planeta. O óleo também é utilizado por vários países na produção de eletricidade, segmento onde a concorrência de outras fontes – como a nuclear, a hídrica, a fotovoltaica e eólica, por exemplo – se apresentou de maneira consistente.

Segundo a IEA, em 1973, 24,8% do petróleo mundial eram consumidos na geração de energia elétrica. Em 2013, esse número caiu drasticamente para 4,4%, em decorrência da adoção de novas fontes de geração.

Ou seja, foram necessários apenas 40 anos para que um quadro de relativa dependência fosse abandonado. Considerando as pressões que exigem as reduções nas emissões de gases de efeito estufa, é bastante possível que situação semelhante se repita com a indústria automobilística, afetando ainda mais a demanda por petróleo no planeta.

Ainda, é preciso considerar que nos Estados Unidos, que respondem por cerca de 20% do consumo mundial de petróleo e figuram como os maiores consumidores do mundo, vêm utilizando cada vez mais o petróleo extraído do xisto, como opção ao extraído diretamente do subsolo. Aliás, esta é uma situação que afetou bastante o mercado internacional de petróleo, atingindo inclusive o Brasil.

Ao mesmo tempo, combustíveis alternativos têm alcançado até mesmo os nichos onde os derivados de petróleo eram soberanos. Na aviação, os biocombustíveis não são apenas viáveis para aviões de todos os portes, como também estão alcançando status preferencial nas políticas de algumas companhias. Em situação ainda mais avançada, há tempos a indústria naval pesquisa soluções, com reais avanços na utilização do hidrogênio como fonte de energia, enquanto há décadas a adoção de reatores nucleares na produção da energia necessária para movimentar embarcações militares é uma realidade.

Materiais

A necessidade de produção de materiais diversos é um argumento que sustenta a viabilidade da extração de petróleo ainda por muito tempo. São centenas de derivados, entre plásticos, lubrificantes, solventes e inúmeros outros produtos diretos da indústria petroquímica e uma infinidade de outros tantos que se baseiam nela.

Por outro lado, com o desenvolvimento de novas tecnologias e a partir da necessidade de encontrar soluções sustentáveis –  tanto pelo ponto de vista ambiental, quanto pela perspectiva econômica -, os pesquisadores continuamente têm buscando sintetizar novos materiais a partir de fontes vegetais, obtendo sucesso em vários aspectos. Como no caso dos biopolímeros, que dão origem ao plástico verde, por exemplo.

Portanto, é certo afirmar que a dependência humana do petróleo ainda tem vida longa. Porém, atitudes como a de proibir a venda de veículos automotores, como pretendem os noruegueses, aliadas a outras já em curso, como as tantas citadas acima, denotam que há uma vontade real de que essa dependência seja reduzida em um futuro cada vez mais próximo. Com a demanda reduzida, é fácil concluir que o preço do barril, que já está baixo, se torne ainda menor, o que pode até inviabilizar a extração em áreas onde há grande dificuldade de prospecção, como na camada de pré-sal brasileira.

 

 

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